Ex-alunos das instituições particulares que atualmente ocupam cargos corporativos atestam o quanto o ensino superior os ajudou a conquistar os postos.
Patrícia Pereira
Há pouco mais de uma década era mais ou menos assim: o jovem recebia da faculdade o conhecimento teórico específico para exercer sua profissão, sonhava em conseguir emprego em uma grande empresa onde pudesse fazer carreira e, se possível, passar toda a vida profissional por lá até se aposentar. Foi-se o tempo. O perfil de trabalhador procurado pelo mercado mudou e, com isso, o que um jovem espera de uma faculdade e de sua futura carreira também.
No lugar de conhecimento técnico específico, o estudante busca formação mais ampla, voltada para trabalhar em grupo e com visão geral do mercado. Em vez de estabilidade, quer mobilidade - de cargo e de empresas. Para conseguir isso, procura instituições que ofereçam uma vivência da prática, sem descuidar da teoria, e que tenham uma boa imagem, tanto nas avaliações feitas pelo governo quanto na percepção do mercado. Todos esses dados constam na pesquisa Desvendando a Formação Acadêmica em 2008, realizada pela A. Franceschini Análises de Mercado, a pedido do Sindicato das Entidades Mantendenoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp).
Graduado em Engenharia Ambiental pelo Centro Universitário de Santo André, é operador de produção da Mercedes Benz. "O grande diferencial da minha faculdade foi proporcionar aulas com professores que atuam profissionalmente na área. Isso é importante porque eles nos dão toques e nos direcionam para o mercado. Acho que não adianta uma faculdade ter professores bons em dar aula, mas que não conhecem a realidade do mercado. É preciso um mix dessas duas características."A história de Diego de Jesus Neves, 24 anos, retrata bem este novo perfil. Ele se formou em Engenharia Ambiental pelo Centro Universitário de Santo André e trabalha na Mercedes Benz. Quando entrou na empresa, ainda não tinha formação universitária e trabalhava como operador de produção. De olho nas oportunidades do mercado, escolheu o curso de Engenharia Ambiental. "Sei que é a profissão do futuro. Todas as empresas, hoje em dia, buscam a questão da sustentabilidade. Tentei aliar isso com minha oportunidade de já estar dentro da Mercedes."Ao se formar, Neves conseguiu ser "emprestado" para a área de meio ambiente, na própria Mercedes Benz. Mas a política interna só permite empréstimos temporários, de seis meses. Ele conseguiu ficar nove meses na função e teve de retornar ao antigo posto. Mas já luta para conseguir a vaga fixa na área desejada. "Vou voltar para ambientes em breve. Além de ter uma boa formação, fico em cima o tempo todo. É preciso correr atrás sempre", afirma.E correr atrás não significa se fixar em uma vaga e fazer de tudo para conseguir aquele posto. Neves, por exemplo, também busca trabalho em outras empresas. "Inclusive faço uma pós-graduação para não perder oportunidades. Espero cursar a parte de qualidade e de logística para fechar o ciclo de gestão integrada que as empresas buscam. Estudar cada vez mais e se aprimorar é o que garante empregabilidade. Hoje em dia, não tem mais essa história de estudar um certo número de anos e parar. Não se pode mais parar de estudar, é preciso buscar especializações, cursos de idioma", acredita.
A visão de Neves está em sintonia com a de consultores da área de educação e de mercado. Para Eduardo Najjar, professor da pós-graduação e coordenador do departamento de educação executiva da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a educação passou a ser para toda a vida. "O novo profissional precisa ter diversas habilidades, eu diria até inúmeras. Precisa estar complementando sua formação o tempo todo", define.
Elizabeth Silveira, consultora de recursos humanos da Cia de Talentos, pensa de forma parecida. Segundo ela, apesar de o conhecimento teórico ter perdido um pouco de espaço para habilidades pessoais, como capacidade de trabalhar em grupo e de liderança, ele não deixou de ser importante. "O conhecimento acadêmico acaba pesando. Ter uma pós-graduação, um MBA, é sempre um referencial importante para a empresa", afirma Elizabeth.
Neves também acerta ao ficar de olho em novas vagas dentro e fora da empresa em que trabalha. Najjar explica que a "fidelidade canina" já foi muito valorizada, mas isso mudou. "Antes, o funcionário se sujeitava a fazer tudo o que o chefe mandava, até o que não sabia, para permanecer no emprego. Hoje, o profissional tem uma série de competências e as coloca à disposição da empresa. Se outra paga mais, ele vai embora. Há, no mercado, uma luta acirrada pelo que chamam de retenção de talentos. É o grande tema das empresas hoje em dia: o que fazer para que seus bons funcionários não queiram ir embora", diz Najjar.
Elizabeth lembra que o mercado busca pessoas com iniciativa. Ela diz que antigamente se focava a estabilidade, mas o mercado se tornou mais dinâmico. "A empresa desenhava para o jovem seu desenvolvimento, o que ele deveria buscar. Hoje não. O jovem passou a ser o dono de sua própria carreira, de seu sucesso. Quem desenha a carreira é ele e não mais a empresa. E ele tem de correr atrás do que quer", explica Elizabeth.
Nova realidade profissional influencia as públicas
Para acompanhar as mudanças do mercado de trabalho, inclusive as instituições públicas precisam reformular suas concepções de ensino para formar alunos aptos a atuar nesta nova realidade profissional. É o que defende Lená Medeiros de Menezes, sub-reitora de graduação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Ela comenta o que considera ser essencial num bom curso e que itens na formação do aluno irão garantir sua empregabilidade.
Ensino Superior - O que se considera uma boa formação hoje em dia é igual ao passado ou algo mudou? O vertiginoso processo de mudança e divulgação do saber, em um espaço ampliado imposto pela globalização e pela revolução nas comunicações, impõe o desenvolvimento de aptidões novas, que permitam novas formas de ver, compreender e acompanhar o que se coloca no mundo. Isto implica, pelo menos, duas novas concepções com relação à educação. Em primeiro lugar, o entendimento de que a formação é um processo continuado e não uma terminalidade que se esgota no término do curso. Em segundo lugar, a compreensão de que não basta uma formação técnico-profissional de qualidade, mas uma educação geral que posicione o profissional como cidadão do mundo. Isso exige do docente uma nova postura diante do que se convencionou chamar de conteúdo. A sala de aula, que inclusive pode ser virtual, passou a ser um espaço de confrontos, de interação, de troca de saberes, de diálogo, exigindo dos envolvidos no processo um movimento dialético e permanente de ensinar enquanto aprende e de aprender enquanto ensina.
Ensino Superior - Olhando para o mercado, o que, na formação do aluno, vai garantir sua empregabilidade? O mercado está cada vez mais exigente, buscando um profissional que possua não só uma boa formação específica quanto uma formação geral capaz de bem posicioná-lo no mundo, com o domínio de conhecimentos de informática e línguas estrangeiras, sendo este o diferencial capaz de garantir a empregabilidade.
Ensino Superior - Como a universidade deve se estruturar para garantir uma formação adequada? A quais itens deve estar atenta? Poderíamos citar inúmeros quesitos, dentre os quais: currículos atualizados, dinâmicos, flexíveis, que contemplem, ao máximo, o desenvolvimento de habilidades que levem o estudante a aprender e a aprender a aprender; professores altamente capacitados, que transitem com competência pelos campos do ensino, da pesquisa e da extensão; bibliotecas com acervos atualizados, integradas em rede a bibliotecas de instituições nacionais e estrangeiras; laboratórios bem equipados, que garantam a formação técnica necessária; possibilidades de estágio que atendam às reais necessidades de formação prática dos estudantes; intercâmbios internacionais que garantam a circulação dos estudantes pelo mundo, ampliando sua base de conhecimentos e capacitando-os a integrarem-se em um mundo globalizado.Nem precisa dar a dica, o novo perfil parece já ter sido incorporado. Bruno Alves Pecci, 25, analista de recursos humanos da Riachuelo, formado em Processamento de Dados pela Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), repete o "quase mantra" da nova geração. "O ideal é ir em busca das oportunidades, não ficar acomodado. E estudar sempre, não se pode mais parar."
Cursou Processamento de Dados na Uniban, é analista de recursos humanos da Riachuelo. "Acho que o ensino superior abre um leque de opções que são fundamentais para o crescimento profissional. Eu, por exemplo, saí de minha área, transitei por outros setores, e foi a ampla formação teórica que me permitiu fazer isso. Ouço muita gente dizer que o que se aprende na faculdade é responsável apenas por 10% do que se precisa na prática de trabalho. Acho que contribui muito mais, eu diria 70%." Se por um lado o mercado está mais dinâmico e oferece mais oportunidades, ser classificado como competente para ocupar essas vagas ficou mais complexo. Elizabeth explica que antigamente as empresas se prendiam mais à formação técnica do profissional e à experiência de trabalho, mas, atualmente, o mercado busca um perfil mais calcado em qualidades pessoais. "Se tiver boa formação teórica vai ser ótimo. No entanto, o que mais conta são competências pessoais, como capacidade de comunicação, de liderança, de improvisar, de gerenciar pessoas. Buscam-se profissionais capazes de visualizar o todo, de enxergar oportunidades. Conhecimento técnico é mais fácil de adquirir. Ensinar a ser um bom líder, por exemplo, é mais complicado", diz a consultora da Cia de Talentos.
Para Elizabeth, as instituições de ensino superior deveriam acrescentar ao currículo disciplinas como Gestão de Pessoas e Recursos Humanos, independente do curso.
Neves, em sua formação superior, teve esse respaldo. Para ele, por mais que a ocupação dentro da empresa seja técnica, é preciso estar preparado para se relacionar com as pessoas e para trabalhar em equipe. "Isso é o mercado hoje. É preciso se relacionar com pessoas que têm outras culturas", diz. Ele conta que a faculdade o ajudou muito nesse quesito ao forçar os trabalhos em grupo e o contato com profissionais, do meio empresarial, na busca de informações para o trabalho de conclusão de curso. "Foi um suporte para o que eu encontrei na vida profissional", afirma.
Najjar adverte que não basta mais conhecer profundamente um assunto. É preciso ter uma visão global, estar por dentro de temas correlatos. Segundo ele, a instituição de ensino precisa estar atenta não apenas à formação vertical, que aprofunda o conhecimento sobre um tema, mas também à horizontal. "É claro que se vou ser um oceanógrafo preciso saber tudo sobre petróleo, camada pré-sal, mas também preciso ter uma visão de mercado e de mundo para saber onde mais posso aplicar meu trabalho, como posso ampliar horizontalmente minha carreira. Escrevendo um livro, por exemplo. É papel da escola abrir esse campo de mercado para seus alunos", explica Najjar.
O professor da ESPM também afirma que já foi o tempo em que as instituições ditavam um currículo e as empresas se adaptavam a ele. Segundo Najjar, é preciso ir ao mercado e perguntar o que ele quer como formação dos alunos. "Só no Brasil e na América Latina que as instituições estão dissociadas do mercado. Quem contrata, precisa 'repreparar' o aluno", diz.
Está constatado que o mercado procura habilidades mais comportamentais. E como fica o embasamento teórico neste novo quadro? Na experiência de Pecci, a teoria ajuda - e muito. "Conheço muitas pessoas formadas que dizem por aí que o ensino vai dar apenas 10% do que se usa na vida prática. Não concordo. A teoria abre um leque de opções, é muito importante no dia-a-dia. Eu diria que traz uma contribuição de 70%", afirma o ex-aluno da Uniban.
Formada em Administração pelas Faculdades de Campinas (Facamp), hoje trabalha com auditoria interna na 3M do Brasil. "O curso era novo. Mas me chamou a atenção a Facamp oferecer cursos em tempo integral, mais focados na formação acadêmica do aluno. Felizmente, assumi um risco que me proporcionou um ótimo retorno"
Ex-aluna de Administração de Empresas das Faculdades de Campinas (Facamp), Luana Franco Ricieri, 24 anos, confessa que a possibilidade de a instituição oferecer embasamento teórico pesou na sua escolha. "Quando escolhi a faculdade que iria cursar, confesso que assumi certo risco, o curso era novo. Mas me chamou a atenção a Facamp oferecer cursos em tempo integral, mais focados na formação acadêmica do aluno. Felizmente, assumi um risco que me proporcionou um ótimo retorno", diz Luana, que atualmente trabalha com auditoria interna na 3M do Brasil Ltda.
Talita Sanchez Agostinho, 22 anos, assistente de marketing da CBC Cartuchos, que é formada em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela Faculdade Editora Nacional (Faenac), de São Caetano do Sul, também vê grande importância na formação teórica."Consegui uma boa visão de mercado e senso analítico com base nos conhecimentos adquiridos na faculdade", diz.De acordo com a pesquisa encomendada pelo Semesp, o item "ter professores que dêem uma forte formação acadêmica" é visto como de total importância por 48% dos profissionais entrevistados.Apesar disso - ou aliada a isso -, a necessidade da prática ainda na faculdade vai se consolidando na lista de exigências dos jovens profissionais. A própria Talita frisa que um diferencial da instituição em que estudou foi proporcionar a vivência prática em várias áreas do curso. Ela considera que dar uma boa base, aliando conhecimentos teórico e prático foi fundamental no ensino que teve para ocupar o cargo que tem hoje.
Denis Luis de Oliveira Esteves, 25 anos, analista de informações gerenciais pleno da TVA, formado em marketing pela Universidade Anhembi Morumbi, concorda com Talita. Para ele, o embasamento teórico foi sim importante, mas os maiores subsídios para sua vida profissional vieram das atividades práticas. "Tive muitos trabalhos práticos. Aprendia mais na execução desses trabalhos. Isso porque tinha de recorrer a casos reais, recorrer a empresas", explica Esteves.
Adélia Franceschini, especialista na área de ensino e diretora-geral da A. Franceschini Análises de Mercado, empresa que realizou a pesquisa para o Semesp, diz que a ênfase na prática é o item que mais vem crescendo nos últimos anos como sendo importante na opinião dos entrevistados. "Já foi menos de 40%, em 2001, e agora é de 59%", afirma.
Formado em Marketing pela Universidade Anhembi Morumbi, é analista de informações gerenciais pleno da TVA.
"Quando me formei, recebi uma proposta para trabalhar na área de planejamento de vendas. Como passei a trabalhar com planejamento e cursei marketing, atrelado à parte de vendas, a faculdade embasa meu dia-a-dia. Acho que toda a minha bagagem, além da faculdade, me ajudou a conseguir chegar à posição que ocupo hoje."Outro item destacado pelos entrevistados da pesquisa e com mudanças recentes é o relacionado à imagem das instituições. O curso ser bem conceituado pelo Ministério da Educação é considerado como sendo de total importância por 76% dos profissionais entrevistados. E a escola ser conhecida pelo mercado, por 64%. "O MEC tem grande credibilidade hoje em dia. Essa foi uma mudança apontada pela pesquisa, não era assim tão importante em 2001, por exemplo. Bateu o reconhecimento pelo mercado", diz Adélia.
Adélia lembra que, apesar de a imagem das instituições estar em alta na cotação dos jovens profissionais, as instituições costumam ter um marketing muito tímido nessa área. "Elas não fazem campanhas de imagem. Fazem apenas para divulgar cursos e vestibulares. E a pesquisa mostrou que a imagem é um dos pontos mais valorizados", afirma a coordenadora da pesquisa.
E há razões concretas para se levar em conta a imagem. Para Esteves, ex-aluno da Anhembi, o "nome" da faculdade o ajudou a conseguir uma vaga no mercado. "Eu nem achava que fosse a melhor faculdade, mas percebi na prática que era bem cotada, ouvi isso nas entrevistas de trabalho que fiz", diz.
Para ele, não há mais discernimento entre instituições públicas e privadas, mas há preferência no mercado pelas com melhor conceito de qualidade. "Há empresas que, em processos de seleção de currículo, realmente optam apenas pelos alunos de instituições renomadas", observa.
Entenda a metodologia da pesquisa
Descobrir quais são os aspectos que os recém-formados julgam mais importantes em uma escola de ensino superior para a futura atuação profissional e também qual é a porcentagem de participação dos alunos formados em escolas particulares de ensino superior no quadro de funcionários das principais empresas do país localizadas no Estado de São Paulo foram os objetivos da pesquisa Desvendando a Formação Acadêmica em 2008, realizada pela A. Franceschini Análises de Mercado a pedido do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). Foram entrevistados 1.438 profissionais que ocupam cargos de alto e médio escalão, analistas e jovens recém-formados das mais diversas áreas, como industrial, financeira, de serviços, de saúde e de turismo, em empresas eleitas como sendo as maiores e mais representativas do setor.De acordo com os funcionários recém-formados entrevistados pela pesquisa, os aspectos mais ou menos valorizados em uma escola de nível superior para garantir o sucesso profissional dos seus alunos são:
Pontos mais valorizados nas instituições
78% Escola ser uma formadora de pessoas que pensam, ao invés de decoradoras de texto
50% Escola ter professores que são formadores de opinião
76% Curso ser bem conceituado no MEC
48% Ter professores que dêem uma forte formaçao acadêmica
64% Escola ser conhecida pelo mercado
46% Escola dar uam visão geral da área ao invés de fragmentos soltos
59% Escola ser mais voltada para a prática profissional
38% Escola possibilitar ao aluno ter contato com pessoas diferentes e de diferentes classes sociais
53% Escola ser bem conceituada
37% Escola possibilitar estudar no exterior
52% Nome da escola ser um abra portas
34% Escola conseguir sensibilizar o aluno para matérias que ele julga sem importância
52% Escola ter boa estrutura física
30% Escola formar profissionais independentes que podem aprender sem os professores
50% Ter professores que atuem em grnades empresas e que abram portas
26% Escola ser perto do trabalho ou de casa
A pesquisa também mostra que, neste ano, 86% dos funcionários das empresas participantes do estudo, enquadrados no perfil da amostra, fizeram a graduação em escolas privadas. Em 2004, eram 76%. Quanto mais jovem, maior a presença da formação superior em faculdades privadas. Dos entrevistados com até 25 anos, 93% cursaram nessas instituições. O valor cai para 81% entre os funcionários com 46 anos ou mais. Ainda assim, 3/4 dos executivos e gerentes são egressos do ensino privado.
A pesquisa constatou que 71% dos presidentes, 80% dos diretores, 86% dos gerentes, 89% dos analistas e técnicos e 90% dos recém-formados fizeram a graduação em escolas privadas. Entre os cursos, o de maior prevalência do ensino privado é o de Turismo/Hotelaria, com 97% dos profissionais formados por particulares. O de menor presença do ensino particular é Engenharia Mecânica, com 67%. Dos entrevistados, 38% possuem pós-graduação, 5% cursam e 57% não possuem, mas 33% pretendem cursar. A indústria e o comércio são os setores que mais valorizam a pós-graduação. Neste nível de ensino, 85% foram formados por instituições privadas, 3% a mais do que em 2004. E, entre os que pretendem cursar uma pós-graduação, 93% indicam como possíveis escolas privadas.
http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12246
Blog para troca de experiências, informações e pontos de vista sobre carreira, profissão, educação, vida...
domingo, 7 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
MODELO EM DISCUSSÃO
Novos índices colocam o sistema de avaliação brasileiro em debate. O que o Brasil pode aprender com a experiência de outros países.
Marta Avancini
Na engrenagem do sistema para avaliar a qualidade do ensino superior, o Brasil ainda tenta azeitar o funcionamento das peças. Criado há quatro anos, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) ainda não foi plenamente implementado. Até agora, dos três pilares de avaliação - institucional, de cursos e de desempenho dos estudantes - apenas essa última gerou resultados que possam dizer algo sobre a qualidade das instituições.
Pelo menos esse é o argumento do Ministério da Educação para o uso do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) como base para a construção dos dois novos indicadores anunciados em setembro último: o Conceito Preliminar de Cursos (CPC) e o Índice Geral de Cursos (IGC). Além de agregar dois novos índices ao sistema, o Ministério ainda estuda alterações nos indicadores. O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes, revelou, em entrevista à revista Ensino Superior, que o Enade pode ser universalizado - uma das exigências da Universidade de São Paulo para aderir ao Exame - e que o Censo da Educação Superior e o Cadastro Nacional de Docentes serão reformulados.
O modelo de avaliação brasileiro, baseado na auto-avaliação e nas visitas in loco de comissões de avaliadores, é parecido com sistemas utilizados no resto do mundo, apesar de diferenças no grau de interferência do Estado. Na América Latina, a maior parte dos países não impõe às instituições a obrigatoriedade de se submeter às avaliações, que normalmente são realizadas por agências, sejam públicas ou privadas. Na Europa, o Processo de Bolonha estimulou a abertura de novas agências de acreditação. Por outro lado, os Estados Unidos, com tradição de auto-regulação, passam por intenso debate sobre a tentativa do governo de controlar o processo.No caso brasileiro, além das críticas em respeito à criação de novas regras a todo momento, a discussão sobre o atual sistema versa sobre o abandono do próprio sistema, leia-se do Sinaes, e pela avaliação estar concentrada no desempenho do aluno, pelo menos neste momento. Questionamentos como esses estão reunidos em documento entregue pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular - associação composta por dez entidades, ao Ministério da Educação.
Segundo o Fórum, o desvirtuamento está relacionado ao fato de que os indicadores funcionariam mais como um instrumento de regulação (no sentido de controle) do que de avaliação, conforme pretende o Inep. Desse modo, estaria ocorrendo uma espécie de retrocesso no que tange ao modelo de avaliação do ensino superior adotado pelo país (leia mais abaixo).
No Brasil, a idéia de avaliar o ensino superior começou a ganhar força e forma na década de 1990, embora o debate sobre a necessidade de instituir mecanismos de avaliação do processo de ensino e o desempenho acadêmico sejam da década de 1970.
Em 1993, surgiu o Programa de Avaliação Institucional (Paiub), cujo desafio central era implantar um sistema de avaliação institucional na concepção formativa. Assim sendo, para assegurar uma visão de conjunto da qualidade de uma instituição e, ao mesmo tempo, respeitar sua identidade, a avaliação abarcava o perfil, a missão, as condições, as necessidades e as aspirações das instituições.
Dois anos mais tarde, com a implementação das avaliações periódicas do ensino superior (Lei n° 9.131/95), foi criado o Exame Nacional de Cursos, que se tornou conhecido como "Provão". Desde seu surgimento, o Provão foi alvo de críticas por concentrar a avaliação dos cursos no desempenho dos alunos (concluintes, no caso) em um exame nacional comum - sobrepondo-se às especificidades e à diversidade que caracteriza o ensino superior brasileiro.
Também era considerada uma falha do Provão descartar a bagagem trazida pelos alunos do ensino médio - a qual serviria de parâmetro para medir o "fator instituição" - e pelo Inep divulgar os resultados por meio de ranking, dando margem para o público ver os resultados como cursos bons e ruins.
As reações ao Provão levaram a uma ruptura da proposta de construir um sistema de avaliação pautado por instrumentos e metodologias quantitativas e qualitativas. Tal idéia foi retomada em 2004 com o Sinaes e, na avaliação atual, pode estar em risco novamente, devido ao papel que os novos indicadores passaram a ter no processo de avaliação do ensino superior.
http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12258
Marta Avancini
Na engrenagem do sistema para avaliar a qualidade do ensino superior, o Brasil ainda tenta azeitar o funcionamento das peças. Criado há quatro anos, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) ainda não foi plenamente implementado. Até agora, dos três pilares de avaliação - institucional, de cursos e de desempenho dos estudantes - apenas essa última gerou resultados que possam dizer algo sobre a qualidade das instituições.
Pelo menos esse é o argumento do Ministério da Educação para o uso do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) como base para a construção dos dois novos indicadores anunciados em setembro último: o Conceito Preliminar de Cursos (CPC) e o Índice Geral de Cursos (IGC). Além de agregar dois novos índices ao sistema, o Ministério ainda estuda alterações nos indicadores. O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes, revelou, em entrevista à revista Ensino Superior, que o Enade pode ser universalizado - uma das exigências da Universidade de São Paulo para aderir ao Exame - e que o Censo da Educação Superior e o Cadastro Nacional de Docentes serão reformulados.
O modelo de avaliação brasileiro, baseado na auto-avaliação e nas visitas in loco de comissões de avaliadores, é parecido com sistemas utilizados no resto do mundo, apesar de diferenças no grau de interferência do Estado. Na América Latina, a maior parte dos países não impõe às instituições a obrigatoriedade de se submeter às avaliações, que normalmente são realizadas por agências, sejam públicas ou privadas. Na Europa, o Processo de Bolonha estimulou a abertura de novas agências de acreditação. Por outro lado, os Estados Unidos, com tradição de auto-regulação, passam por intenso debate sobre a tentativa do governo de controlar o processo.No caso brasileiro, além das críticas em respeito à criação de novas regras a todo momento, a discussão sobre o atual sistema versa sobre o abandono do próprio sistema, leia-se do Sinaes, e pela avaliação estar concentrada no desempenho do aluno, pelo menos neste momento. Questionamentos como esses estão reunidos em documento entregue pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular - associação composta por dez entidades, ao Ministério da Educação.
Segundo o Fórum, o desvirtuamento está relacionado ao fato de que os indicadores funcionariam mais como um instrumento de regulação (no sentido de controle) do que de avaliação, conforme pretende o Inep. Desse modo, estaria ocorrendo uma espécie de retrocesso no que tange ao modelo de avaliação do ensino superior adotado pelo país (leia mais abaixo).
No Brasil, a idéia de avaliar o ensino superior começou a ganhar força e forma na década de 1990, embora o debate sobre a necessidade de instituir mecanismos de avaliação do processo de ensino e o desempenho acadêmico sejam da década de 1970.
Em 1993, surgiu o Programa de Avaliação Institucional (Paiub), cujo desafio central era implantar um sistema de avaliação institucional na concepção formativa. Assim sendo, para assegurar uma visão de conjunto da qualidade de uma instituição e, ao mesmo tempo, respeitar sua identidade, a avaliação abarcava o perfil, a missão, as condições, as necessidades e as aspirações das instituições.
Dois anos mais tarde, com a implementação das avaliações periódicas do ensino superior (Lei n° 9.131/95), foi criado o Exame Nacional de Cursos, que se tornou conhecido como "Provão". Desde seu surgimento, o Provão foi alvo de críticas por concentrar a avaliação dos cursos no desempenho dos alunos (concluintes, no caso) em um exame nacional comum - sobrepondo-se às especificidades e à diversidade que caracteriza o ensino superior brasileiro.
Também era considerada uma falha do Provão descartar a bagagem trazida pelos alunos do ensino médio - a qual serviria de parâmetro para medir o "fator instituição" - e pelo Inep divulgar os resultados por meio de ranking, dando margem para o público ver os resultados como cursos bons e ruins.
As reações ao Provão levaram a uma ruptura da proposta de construir um sistema de avaliação pautado por instrumentos e metodologias quantitativas e qualitativas. Tal idéia foi retomada em 2004 com o Sinaes e, na avaliação atual, pode estar em risco novamente, devido ao papel que os novos indicadores passaram a ter no processo de avaliação do ensino superior.
http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12258
A UNIÃO FAZ A AULA
Cresce a movimentação de empresas que se reúnem para viabilização de cursos em temas de interesse comum.
Paulo Jebaili
Formar gestores de alto nível para atender às demandas de um setor em acelerada expansão. Foi a partir dessa necessidade que a empresa de call center Softway começou a articular um projeto de capacitação de seus executivos. Ao examinar as ofertas de programas, notou que não havia, entretanto, um no qual todos os fundamentos desejados estivessem reunidos. Havia disciplinas que interessavam em cursos de marketing, outras residiam no curso de tecnologia da informação. A partir desse quadro, surgiu a proposta de criação de um curso que atendesse à especificidade do segmento. A idéia foi viabilizada com a adesão de outras empresas que passavam por situação semelhante. Ao lado da Credicard e da Editora Abril, foi estabelecida uma parceria com o Ibmec-SP, que resultou na formação da primeira turma do MBA Executivo em CRM e call center, em 2003, com 44 alunos.
Em 2005, o curso foi rebatizado MBA Corporativo de Excelência no Relacionamento com Clientes e a segunda turma contou com 39 alunos, de 12 empresas. Uma terceira turma está sendo preparada para outros 18 meses de estudos, tempo de duração do curso. O setor de call center é um dos que mais crescem no país. Estimativas da Associação Brasileira de Telesserviços dão conta de que 675 mil profissionais trabalhem no segmento, tendo sido criadas 60 mil dessas vagas no ano passado.
Santos, da Faap: "Curso fica mais rico quando se discutem questões mais amplas"
Nesse ambiente, a empresa julgou essencial contar com pessoas bem preparadas para as funções estratégicas. "O objetivo é formar especialistas nos negócios, gestores que tenham competências para lidar com uma diversidade de temas, como rentabilidade, infra-estrutura de TI, relacionamento com o consumidor, estratégia de vendas", explica Rosana Rocha, superintendente de comunicação e marketing da Softway.
Para ela, a educação guarda estreita relação com aumento de performance. "O profissional que freqüenta um curso de alto nível melhora o seu conhecimento da atividade, o seu discurso, a sua capacidade de análise e síntese, e fica mais propenso a ter novas idéias. Isso acaba tendo reflexos no relacionamento com o cliente", comenta.
A iniciativa da Softway é um exemplo do crescimento de um modelo que vem sendo praticado com crescente freqüência nos últimos anos: o consórcio. São empresas que se juntam em torno de uma proposta educacional comum.
Em termos de aprendizado, um dos atributos do modelo é que ele pode oferecer uma troca de experiências mais intensa do que um curso in company e, ao mesmo tempo, um foco mais direcionado e um nível de especificidade maior do que os cursos abertos.
Osvino, da FDC: troca com o mundo externo e conteúdo para discussão interna
Para o vice-diretor da escola de administração da Faap e diretor do MBA da instituição, Tharcisio Bierrenbach de Souza Santos, ter contato com uma diversidade de culturas empresariais é uma vantagem básica do MBA em consórcio em relação ao curso in company. "Quando se trabalha com uma única empresa, há uma tendência de se ficar circunscrito aos problemas que são levantados naquele ambiente", diz. "Com o mundo flexível e altamente competitivo como o que estamos vivendo, muitas vezes, a situação vivida no passado não será repetida no futuro. O curso fica mais rico quando se discutem questões mais amplas, quando se têm uma visão e uma diretriz mais abertas", analisa.
Um ponto positivo destacado pelo professor e coordenador dos programas de pós-graduação da Fundação Dom Cabral, Osvino de Souza Filho, nos cursos em consórcio, é a possibilidade de o aluno trocar experiências com participantes de outras empresas e também de compartilhar o aprendizado com seus colegas de trabalho. "Nos programas abertos, podemos ter 50 pessoas de 50 empresas diferentes. No MBA consórcio, vamos supor, há quatro participantes de 12 empresas diferentes. Então, são 12 empresas que proporcionam riqueza de troca com o mundo externo e quatro participantes que aproveitam o conteúdo para uma discussão interna. Eles desenvolvem projetos, vão resolver problemas da sua própria empresa, mas essa riqueza é acrescida do debate em torno do seu projeto com profissionais de outras empresas", observa.
Fora do âmbito pedagógico, o fator financeiro também tem contribuído para o aumento da procura pela modalidade de consórcios. O professor Osvino conta um episódio acontecido próximo ao momento da entrevista. "Um cliente queria fazer um programa de especialização, mas só tinha 15 candidatos. E o custo do programa é único, normalmente para 40, para 50. Para 15, o custo per capita fica inviável. Propus a reunião de mais uma ou duas empresas para tentar compor uma turma de 30 alunos, com conteúdo customizado", relata. Ele acrescenta que esse modelo permite, muitas vezes, a participação de empresas de menor porte nos programas.
O consórcio também foi a solução para a confecção do MBA Logística do Coppead/UFRJ. A instituição foi procurada por uma empresa de logística em busca de um programa de 360 horas sobre o assunto. O desenho a quatro mãos já estava feito, mas o começo das aulas ainda não estava garantido. "Uma dificuldade que a empresa tinha era o número de participantes que viabilizasse economicamente a realização do curso", lembra Kleber Figueiredo, vice-diretor de educação executiva do Coppead. A saída foi encontrar outras três organizações interessadas, uma do setor de bebidas, outra de telecomunicações e a terceira também de logística, porém com atuação em outros pontos geográficos. "Foi interessante porque essas empresas também estavam pensando em cursos de logística, mas não tinham o número adequado de alunos para formar o curso."
A primeira turma, criada em 2000, teve 36 alunos. A partir da segunda, no ano seguinte, o MBA Logística virou um curso aberto da universidade. "A partir da terceira turma em diante, o curso sobreviveu por si só", conta Figueiredo.
Figueiredo, do Coppead/UFRJ: desenhado sob encomenda, curso tornou-se abertoE no âmbito do modelo de consórcios, tem-se tornado mais intensa uma movimentação para formar parcerias com empresas que compõem a cadeira de valor. Clientes e fornecedores estão sendo chamados para responder à chamada em sala de aula. "As empresas ultimamente têm sentido necessidade de melhorar a cadeia de negócios. E tem sido crescente essa necessidade, porque a empresa sabe que não vive sozinha, ela precisa de uma boa performance de seus fornecedores, e necessita atender bem o seu cliente", analisa o professor Osvino, da FDC. Ele nota que esse tipo de associação vem sendo mais freqüente nos últimos 5 anos. "Essa visão é crescente na área de negócios, portanto, essa alternativa de montagem de consórcios é uma solução", afirma.
Figueiredo, do Coppead, também atesta essa prática. Ele conta uma experiência recentemente concluída, em que uma empresa do Paraná propôs a realização de um curso de aperfeiçoamento em logística com 160 horas de duração. Da turma de 39 pessoas, apenas seis eram da empresa proponente. "É uma forma de estender o conhecimento para toda a cadeia de valor. Não adianta a empresa ser eficiente. Se o cliente e o fornecedor não forem, todos perdem", observa.
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Paulo Jebaili
Formar gestores de alto nível para atender às demandas de um setor em acelerada expansão. Foi a partir dessa necessidade que a empresa de call center Softway começou a articular um projeto de capacitação de seus executivos. Ao examinar as ofertas de programas, notou que não havia, entretanto, um no qual todos os fundamentos desejados estivessem reunidos. Havia disciplinas que interessavam em cursos de marketing, outras residiam no curso de tecnologia da informação. A partir desse quadro, surgiu a proposta de criação de um curso que atendesse à especificidade do segmento. A idéia foi viabilizada com a adesão de outras empresas que passavam por situação semelhante. Ao lado da Credicard e da Editora Abril, foi estabelecida uma parceria com o Ibmec-SP, que resultou na formação da primeira turma do MBA Executivo em CRM e call center, em 2003, com 44 alunos.
Em 2005, o curso foi rebatizado MBA Corporativo de Excelência no Relacionamento com Clientes e a segunda turma contou com 39 alunos, de 12 empresas. Uma terceira turma está sendo preparada para outros 18 meses de estudos, tempo de duração do curso. O setor de call center é um dos que mais crescem no país. Estimativas da Associação Brasileira de Telesserviços dão conta de que 675 mil profissionais trabalhem no segmento, tendo sido criadas 60 mil dessas vagas no ano passado.
Santos, da Faap: "Curso fica mais rico quando se discutem questões mais amplas"
Nesse ambiente, a empresa julgou essencial contar com pessoas bem preparadas para as funções estratégicas. "O objetivo é formar especialistas nos negócios, gestores que tenham competências para lidar com uma diversidade de temas, como rentabilidade, infra-estrutura de TI, relacionamento com o consumidor, estratégia de vendas", explica Rosana Rocha, superintendente de comunicação e marketing da Softway.
Para ela, a educação guarda estreita relação com aumento de performance. "O profissional que freqüenta um curso de alto nível melhora o seu conhecimento da atividade, o seu discurso, a sua capacidade de análise e síntese, e fica mais propenso a ter novas idéias. Isso acaba tendo reflexos no relacionamento com o cliente", comenta.
A iniciativa da Softway é um exemplo do crescimento de um modelo que vem sendo praticado com crescente freqüência nos últimos anos: o consórcio. São empresas que se juntam em torno de uma proposta educacional comum.
Em termos de aprendizado, um dos atributos do modelo é que ele pode oferecer uma troca de experiências mais intensa do que um curso in company e, ao mesmo tempo, um foco mais direcionado e um nível de especificidade maior do que os cursos abertos.
Osvino, da FDC: troca com o mundo externo e conteúdo para discussão interna
Para o vice-diretor da escola de administração da Faap e diretor do MBA da instituição, Tharcisio Bierrenbach de Souza Santos, ter contato com uma diversidade de culturas empresariais é uma vantagem básica do MBA em consórcio em relação ao curso in company. "Quando se trabalha com uma única empresa, há uma tendência de se ficar circunscrito aos problemas que são levantados naquele ambiente", diz. "Com o mundo flexível e altamente competitivo como o que estamos vivendo, muitas vezes, a situação vivida no passado não será repetida no futuro. O curso fica mais rico quando se discutem questões mais amplas, quando se têm uma visão e uma diretriz mais abertas", analisa.
Um ponto positivo destacado pelo professor e coordenador dos programas de pós-graduação da Fundação Dom Cabral, Osvino de Souza Filho, nos cursos em consórcio, é a possibilidade de o aluno trocar experiências com participantes de outras empresas e também de compartilhar o aprendizado com seus colegas de trabalho. "Nos programas abertos, podemos ter 50 pessoas de 50 empresas diferentes. No MBA consórcio, vamos supor, há quatro participantes de 12 empresas diferentes. Então, são 12 empresas que proporcionam riqueza de troca com o mundo externo e quatro participantes que aproveitam o conteúdo para uma discussão interna. Eles desenvolvem projetos, vão resolver problemas da sua própria empresa, mas essa riqueza é acrescida do debate em torno do seu projeto com profissionais de outras empresas", observa.
Fora do âmbito pedagógico, o fator financeiro também tem contribuído para o aumento da procura pela modalidade de consórcios. O professor Osvino conta um episódio acontecido próximo ao momento da entrevista. "Um cliente queria fazer um programa de especialização, mas só tinha 15 candidatos. E o custo do programa é único, normalmente para 40, para 50. Para 15, o custo per capita fica inviável. Propus a reunião de mais uma ou duas empresas para tentar compor uma turma de 30 alunos, com conteúdo customizado", relata. Ele acrescenta que esse modelo permite, muitas vezes, a participação de empresas de menor porte nos programas.
O consórcio também foi a solução para a confecção do MBA Logística do Coppead/UFRJ. A instituição foi procurada por uma empresa de logística em busca de um programa de 360 horas sobre o assunto. O desenho a quatro mãos já estava feito, mas o começo das aulas ainda não estava garantido. "Uma dificuldade que a empresa tinha era o número de participantes que viabilizasse economicamente a realização do curso", lembra Kleber Figueiredo, vice-diretor de educação executiva do Coppead. A saída foi encontrar outras três organizações interessadas, uma do setor de bebidas, outra de telecomunicações e a terceira também de logística, porém com atuação em outros pontos geográficos. "Foi interessante porque essas empresas também estavam pensando em cursos de logística, mas não tinham o número adequado de alunos para formar o curso."
A primeira turma, criada em 2000, teve 36 alunos. A partir da segunda, no ano seguinte, o MBA Logística virou um curso aberto da universidade. "A partir da terceira turma em diante, o curso sobreviveu por si só", conta Figueiredo.
Figueiredo, do Coppead/UFRJ: desenhado sob encomenda, curso tornou-se abertoE no âmbito do modelo de consórcios, tem-se tornado mais intensa uma movimentação para formar parcerias com empresas que compõem a cadeira de valor. Clientes e fornecedores estão sendo chamados para responder à chamada em sala de aula. "As empresas ultimamente têm sentido necessidade de melhorar a cadeia de negócios. E tem sido crescente essa necessidade, porque a empresa sabe que não vive sozinha, ela precisa de uma boa performance de seus fornecedores, e necessita atender bem o seu cliente", analisa o professor Osvino, da FDC. Ele nota que esse tipo de associação vem sendo mais freqüente nos últimos 5 anos. "Essa visão é crescente na área de negócios, portanto, essa alternativa de montagem de consórcios é uma solução", afirma.
Figueiredo, do Coppead, também atesta essa prática. Ele conta uma experiência recentemente concluída, em que uma empresa do Paraná propôs a realização de um curso de aperfeiçoamento em logística com 160 horas de duração. Da turma de 39 pessoas, apenas seis eram da empresa proponente. "É uma forma de estender o conhecimento para toda a cadeia de valor. Não adianta a empresa ser eficiente. Se o cliente e o fornecedor não forem, todos perdem", observa.
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SEMESP promove 2º Prêmio Cidadania Sem Fronteiras
03/12/2008
O Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo - Semesp e o Instituto da Cidadania Brasil realizam, no próximo dia 8 de dezembro, o evento de premiação das Instituições de Ensino Superior do Estado de São Paulo (IES) finalistas da 2ª edição do Prêmio Cidadania sem Fronteiras, que tem como objetivo valorizar a prática social das IES junto às comunidades, agregando diferencial de qualidade à instituição de ensino e contribuindo para a formação cidadã dos seus alunos.Os resultados finais serão divulgados no jantar de premiação que acontece no dia 8 de dezembro, às 19h30, no Buffet Baiúca Maranhão (Rua Maranhão, 983 - Higienópolis), em São Paulo.A premiação tem conseguido dar visibilidade às melhores práticas sociais desenvolvidas pelas IES do Estado de São Paulo, estimulando-as ao desenvolvimento de novas tecnologias e metodologias de abordagem, que preenchem as lacunas sociais nas áreas de Direitos Humanos, Justiça, Trabalho, Cultura, Comunicação, Saúde, Tecnologia e Produção e Educação e Meio Ambiente.A comissão julgadora dos finalistas é formada por: Paulo Saab, presidente do Instituto da Cidadania Brasil; Cristovam Buarque, senador; Jorge Parente Frota Júnior, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Juliana Holanda, editora da Revista Ensino Superior; Sergio Kobayashi, coordenador Geral de Educação da cidade de São Paulo; Sidney Beraldo, secretário de Gestão Pública do Estado de São Paulo; e Rodrigo Garcia, secretário de Desburocratização do Município de São Paulo.
http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12272
O Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo - Semesp e o Instituto da Cidadania Brasil realizam, no próximo dia 8 de dezembro, o evento de premiação das Instituições de Ensino Superior do Estado de São Paulo (IES) finalistas da 2ª edição do Prêmio Cidadania sem Fronteiras, que tem como objetivo valorizar a prática social das IES junto às comunidades, agregando diferencial de qualidade à instituição de ensino e contribuindo para a formação cidadã dos seus alunos.Os resultados finais serão divulgados no jantar de premiação que acontece no dia 8 de dezembro, às 19h30, no Buffet Baiúca Maranhão (Rua Maranhão, 983 - Higienópolis), em São Paulo.A premiação tem conseguido dar visibilidade às melhores práticas sociais desenvolvidas pelas IES do Estado de São Paulo, estimulando-as ao desenvolvimento de novas tecnologias e metodologias de abordagem, que preenchem as lacunas sociais nas áreas de Direitos Humanos, Justiça, Trabalho, Cultura, Comunicação, Saúde, Tecnologia e Produção e Educação e Meio Ambiente.A comissão julgadora dos finalistas é formada por: Paulo Saab, presidente do Instituto da Cidadania Brasil; Cristovam Buarque, senador; Jorge Parente Frota Júnior, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Juliana Holanda, editora da Revista Ensino Superior; Sergio Kobayashi, coordenador Geral de Educação da cidade de São Paulo; Sidney Beraldo, secretário de Gestão Pública do Estado de São Paulo; e Rodrigo Garcia, secretário de Desburocratização do Município de São Paulo.
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