VAMOS OUVIR FALAR MUITO DISSO...
Trabalho conjunto
Eixos temáticos e projetos modulares levam a interdisciplinaridade para as salas de aula e os laboratórios. Objetivo é formar profissionais mais críticos.
Rodolfo C. Bonventti
Cada vez mais o mercado de trabalho exige profissionais que tenham como competências a desenvoltura, a facilidade em resolver problemas e desenvolver pensamentos e atitudes críticas. Essa postura tem levado as instituições de ensino superior a buscar novas formas e metodologias e a abandonar aos poucos a formação pela disciplinaridade pura e simples para adotar a interdisciplinaridade, os eixos temáticos e os projetos pedagógicos modulares.
"É uma evolução natural do desenvolvimento do conhecimento. O enfoque hoje tem de ser interdisciplinar e não mais aquele modelo muito fragmentado que é o ensino por disciplinas. O aluno tem de ter a visão de que as diversas partes de um todo interagem entre si e que ele não pode aprender a trabalhar tentando compreender as partes isoladas, mas todas elas integradas. No modelo de ensino por disciplinas se perde a noção do todo", defende o professor titular do campus Baixada Santista da Unifesp, Nildo Batista.
Olhar de forma integrada é o conceito básico das instituições que adotam o ensino modular, em que a matriz curricular não é mais linear, mas muito mais flexível, permitindo desenvolver, dentro dela, várias atividades diferenciadas e complementares com conteúdos e temas integradores. "Ao convergirem para a interdisciplinaridade, esses projetos unem mais professores e alunos porque ambos aprendem a trabalhar em conjunto. Esse tipo de projeto não funciona se os coordenadores de cursos e todos os professores envolvidos não participarem ativamente dele", explica a pró-reitora de graduação da Universidade Metodista de São Paulo, Vera Lúcia Gouvea Stivaletti.
"O projeto de módulos curriculares integrados só traz vantagens tanto para os alunos como para os professores. Os docentes passam a conversar mais entre eles, a trocar experiências, a se integrar e a conhecer metodologias diversificadas de preparar uma atividade, e acabam fazendo também uma nova leitura do seu papel como educador. Já os alunos aprendem a trabalhar por situações, por temas, a desenvolver mais pesquisas, mais trabalhos e atividades em grupo e ganham em desenvoltura frente aos desafios que aparecem, já que conquistam uma visão mais integralizadora", define Vera Lúcia Stivaletti.
Mas trabalhar em módulos não significa apenas fazer uma junção de disciplinas afins. É muito mais que isso. Representa a integração de conteúdos, significa não permitir que cada área olhe apenas para si. "Por exemplo, na opção por disciplinas, um aluno da área de Saúde aprende em um determinado momento do curso a anatomia do coração e, em outro momento, que pode nem ser no mesmo semestre ou ano, a fisiologia do coração. No sistema modular e por eixos, ele tem, ao mesmo tempo, a visão do coração como um todo", exemplifica o professor Nildo Batista.
Atualmente, uma das grandes reclamações dos alunos da graduação é a repetição de assuntos nas várias disciplinas que compõem as grades curriculares. São grades que muitas vezes possuem, em um curso de quatro anos, mais de 90 disciplinas, e como não há um planejamento conjunto entre os professores que ministram essas aulas, é natural que ocorra o isolamento dos conteúdos ministrados por cada professor.
Um outro modelo é o adotado pela FGV/Easp, que trabalha com módulos formados por conjuntos fixos de disciplinas. "Nossos módulos são muito mais gerenciais. Temos uma preocupação em dar uma seqüência adequada no desenvolvimento dos cursos e em realizarmos um balanceamento das atividades propostas", explica o professor Luiz Arthur Brito, coordenador do Mestrado Profissional em Administração da FGV/Easp.
"Nós preparamos executivos para ocuparem cargos de direção nas empresas e temos três grandes etapas nos módulos que permitem que os nossos alunos olhem para o mercado como um todo: o primeiro momento é quando eles chegam ao curso, o segundo na fase intermediária, quando já possuem uma boa base, e o terceiro na transição para o mercado, quando as atividades extraclasse são executadas no próprio mercado", exemplifica Luiz Arthur.
Na Universidade Metodista, onde a nova concepção curricular vem sendo implantada desde 2004, os reflexos positivos se manifestam em práticas como o aumento na freqüência às bibliotecas. "Foi uma boa surpresa e tivemos de investir na ampliação do espaço das bibliotecas nos campi, já que a nova metodologia tem levado os alunos a se interessarem mais em pesquisas, monitorias, nos projetos experimentais, na participação em congressos e em atividades culturais", exemplifica a professora Vera Lúcia Stivaletti.
No campus Baixada Santista da Unifesp, o projeto de ensino modular está completando quatro anos e envolve cinco áreas da Saúde: fisioterapia, terapia ocupacional, educação física, nutrição e psicologia. Para o professor Nildo Alves Batista, "com esse modelo podemos trabalhar melhor no desenvolvimento das competências dos nossos novos profissionais de mercado, encorajando-os a pensar sempre a partir de situações problematizadoras".
DIFERENÇA ENTRE OS CONCEITOS:
Disciplinaridade: surgiu no século XVI com Galileu Galilei, que propôs substituir o estudo da realidade em toda a sua complexidade pela adoção de perspectivas que permitissem a construção de modelos concentrados em aspectos mais específicos. Era a visão de que o mundo era uma grande máquina que podia ser desmontada em partes menores, que seriam estudadas isoladamente. Ou seja, esperava-se compreender o todo pela justaposição de suas partes.
Interdisciplinaridade: resposta à fragmentação do conhecimento ocorrida com a Revolução Industrial e a necessidade de mão-de-obra especializada. Buscou conciliar os conceitos pertencentes às diversas áreas do conhecimento com o objetivo de produzir novos conhecimentos. Apóia-se em uma visão que considera que as diversas partes de um todo interagem entre si, não sendo possível compreender um sistema, seja ele simples ou complexo, só com base na compreensão de suas partes isoladas. Permite que o aluno articule os conceitos de diversas disciplinas, dando significado a situações novas.
PROBLEMAS COM SOLUÇÃO
Preocupado em promover iniciativas que permitam o desenvolvimento pedagógico contínuo do seu corpo docente e, ao mesmo tempo, lhe possibilite colocar no mercado de trabalho profissionais e alunos com uma visão mais crítica, analítica e ética, o Ibmec São Paulo criou o Núcleo de Estudos da Dinâmica do Ensino e Aprendizagem (DEA), uma iniciativa pioneira entre as escolas de negócios do país.
Carolina da Costa, gerente da área de Pesquisa, Ensino e Aprendizagem do Ibmec São Paulo, explica o funcionamento do Núcleo. "Buscamos junto com os professores um currículo orientado por questões de relevância social e corporativa, ou seja, mais integrado, que permita que o nosso aluno use o seu raciocínio efetivamente para pensar. Nosso foco não está apenas no desempenho de cada um, mas no desenvolver das competências que um mercado cada vez mais exigente e seletivo solicita."
Doutora em Ciências Cognitivas, Carolina da Costa define que o profissional do século XXI precisa ter duas grandes competências: pensamento crítico e saber resolver problemas. "Em função disso, trabalhamos em cima de algumas perguntas essenciais: como as pessoas aprendem melhor? A serviço do quê cada conhecimento está? Quais são os conhecimentos que efetivamente apóiam a nossa missão de formar bons profissionais? Dessa forma, o nosso currículo fica mais centrado em dilemas e problemas e na solução deles por parte dos alunos."
O Núcleo criado pelo Ibmec São Paulo desenvolve programas que preparam os professores para essa nova realidade, procurando melhorar o processo de transmissão do conteúdo aos alunos. Um dos programas mais interessantes criados pelo DEA é o Professor Assistindo Aula de Professor (Paap), em que os professores trocam de papel e assistem como alunos também às aulas de outros docentes. O objetivo é ajustar as práticas pedagógicas que estão sendo aplicadas e também promover a integração do corpo docente e das suas respectivas disciplinas.
"Para o sucesso de qualquer novo projeto pedagógico, precisamos antes de tudo entender que ele só vai funcionar se os professores forem os protagonistas dessa nova história. Eles precisam se sentir validados, que têm apoio e não estão apenas sendo fiscalizados de alguma forma. Nós precisamos trabalhar essa mudança cultural professor a professor, com a preocupação de não parecer que estamos desvalidando o que eles tinham feito até então", explica Carolina da Costa.
Além do apoio aos professores e de uma opção cada vez maior para experimentos na sala de aula, o DEA também se envolve na produção constante de literatura capaz de embasar esse novo foco de ensino.
http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12286
Blog para troca de experiências, informações e pontos de vista sobre carreira, profissão, educação, vida...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
MEC organiza os Cursos Técnicos...
Denominado pelo MEC como Catálogo Nacional de cursos Técnicos, o documento "agrupa os cursos conforme suas características científicas e tecnológicas em 12 eixos tecnológicos que somam ao todo 185 possibilidades de oferta de cursos técnicos. Cumprindo a função de apresentar denominações que deverão ser adotadas nacionalmente para cada perfil de formação, o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos não impede, entretanto, o atendimento às peculiaridades regionais, possibilitando currículos com diferentes linhas formativas."
ACABOU A FESTA!!!!
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